Às vezes
a dor encosta-se ao voo interrompido
de pássaros que perderam o mapa das estações.
Lado a lado
desatamos os nós da noite
e deixamos que as vozes se tornem claridade
mesmo quando a inquietação nos atravessa.
As palavras arrastam um brilho clandestino
na dobra inquieta do silêncio.
Nas paredes
o lume hesita.
Um traço
talvez
ou a vibração de uma luz que não se fixa.
A linha do tempo inclina-se
imprevisível
como se procurasse o gesto que a inventou.
E quando o horizonte nos toca
mesmo que de leve
sabemos que a carícia é também promessa.
A de continuar a conceber a luz
onde o mundo insiste em ser penumbra.
BL
11.08.26
Sem comentários:
Enviar um comentário