terça-feira, 11 de agosto de 2026

Luz oblíqua

 



Às vezes

a dor encosta-se ao voo interrompido

de pássaros que perderam o mapa das estações.


Lado a lado

desatamos os nós da noite

e deixamos que as vozes se tornem claridade

mesmo quando a inquietação nos atravessa.


As palavras arrastam um brilho clandestino

na dobra inquieta do silêncio.


Nas paredes

o lume hesita.

Um traço

talvez

ou a vibração de uma luz que não se fixa.


A linha do tempo inclina-se

imprevisível

como se procurasse o gesto que a inventou.


E quando o horizonte nos toca

mesmo que de leve

sabemos que a carícia é também promessa.

A de continuar a conceber a luz

onde o mundo insiste em ser penumbra.



BL

11.08.26







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