O lume que deixaste
à beira do poema
ainda procura
o corpo que o sonhou.
Há cinzas que guardam
o eco das gaivotas
o eco das gaivotas
como se cada asa soubesse
traduzir
o relâmpago.
Um trinado
distante
atravessa o silêncio
e instala-se no intervalo
entre duas mãos que não sabiam ser eternidade.
As giestas
verdes de espanto
inclinam-se para o que não se vê.
Um sopro
talvez
ou a memória de uma luz que não se apaga.
BL
12.08.26
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