quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Quando nos afastamos de nós




Nesta soleira adormecida das águas

escrevo-te a tarde do poema

as árvores encostadas aos dias

adiados

como se entregasse os olhos

ao voo das palavras.


O vento sacode

as derradeiras sombras

incontidas e vorazes

a desviarem o caminho do sol que nos habita o horizonte.


Escrevo-te

os lugares das gaivotas

na vertigem desencontrada das marés

quando nos afastamos de nós

para mar nenhum.



BL

13.08.26






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