Nesta soleira adormecida das águas
escrevo-te a tarde do poema
as árvores encostadas aos dias
adiados
como se entregasse os olhos
ao voo das palavras.
O vento sacode
as derradeiras sombras
incontidas e vorazes
a desviarem o caminho do sol que nos habita o horizonte.
Escrevo-te
os lugares das gaivotas
na vertigem desencontrada das marés
quando nos afastamos de nós
para mar nenhum.
BL
13.08.26
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