Sílabas de água
prolongamento
dos instantes.
Grito
ou silêncio
passos esculpidos no vento.
Espaços
ou momentos
de ti de mim
ou de outros
tantos.
BL
06.11.25
Sílabas de água
prolongamento
dos instantes.
Grito
ou silêncio
passos esculpidos no vento.
Espaços
ou momentos
de ti de mim
ou de outros
tantos.
BL
06.11.25
Suspendo os olhos num tempo
resgatado
para que possa redimir as pedras atravessadas
por sombras e imagens indecifráveis.
E deixo que a noite se abra em silêncio
como um rio que procura o mar escondido
entre raízes que guardam memórias
de passos que nunca cessaram.
O vento ergue-se em vozes antigas
tecendo caminhos de pó e claridade
onde a esperança repousa intacta
na chama secreta do horizonte.
BL
05.11.25
Sílabas de água
deslizam sobre a pele do tempo
como se cada instante fosse um espelho partido.
O vento recolhe passos invisíveis
e grava-os em dunas que respiram
onde o silêncio se confunde com o grito.
E no intervalo entre espaços e momentos
ergue-se uma voz sem dono
que nos chama pelo nome que esquecemos.
BL
04.11.25
não é forma
nem fundo
a dobra
entre o antes
e o quase
um traço
sem direção
um tempo
que não se sabe
tempo
como se o vazio
tivesse nervos
como se o silêncio
tivesse vértebras
instância
mínima
não é pergunta
não é resposta
o intervalo
entre ambas
o que vibra
sem som
o que se move
sem gesto
o que se repete
sem ter sido
há um lugar
onde o centro
não cabe
onde o nome
se desfaz
antes de nascer
onde o corpo
é hipótese
e tudo o que é
não é mais
do que
a sombra
do que
não foi
instância
mínima
a memória
do que não tem
memória
a linha
que não toca
o papel
a ideia
que não se pensa
a luz
que não se vê
tantas
realidades
nunca
se formarão
nesta
instância
mínima
[o sentido
escorre
antes
do contorno]
BL
04.11.25
não é ausência.
é o que sobra quando tudo parte.
um centro sem contorno.
um eco sem origem.
não se toca.
não se nomeia.
mas está.
sempre.
entre o gesto e o arrepio.
entre o som e o silêncio.
entre o antes e o nunca.
vazio.
não é falta.
é excesso de nada.
um lugar onde o tempo se curva.
onde o corpo se esquece.
onde o pensamento se desfaz.
não cabe no poema.
mas o poema cabe nele.
[há um espaço onde tudo se cala
e esse espaço tem o nome que não dizemos.]
BL
03.11.25
Há um lugar que não se nomeia
feito de sal e silêncio
onde a noite se deita no corpo
como um animal ferido.
Ali os dias não passam
eles rasgam
bordam agulhas na pele da água
à espera de um vento que saiba rezar.
Escrevo com os ossos
com o lume que resta nos dedos
com a sombra que a memória
projeta sobre o chão da ausência.
Tu és o verbo que não se conjuga
a raiz que não dorme
o altar onde os sonhos
se oferecem sem retorno.
Às vezes respiro como quem arde
como quem acende a noite
com um sopro de faíscas
vindas de um beijo antigo.
E há uma força que me puxa
para longe do abismo
mas deixa em mim
o eco do precipício.
Faço pactos com o escuro
juro com sangue
a flor breve do amanhecer
enquanto o dia me obriga a existir.
Hoje desabituei o teu nome
lavei as palavras no esquecimento
e convoquei o sono
para apagar o lugar onde resistes.
BL
02.11.25
é o sopro da noite
rasgando o véu da memória
onde o silêncio se enrosca.
o amor assim se acende e assim se apaga:
na vertigem dos gestos por dizer
e no eco das vozes que não voltam.
que mais esperar?
BL
01.11.25