BL
domingo, 5 de julho de 2020
sexta-feira, 3 de julho de 2020
O teu mar
Amanheces
instante.
Acorde
de piano em ampla harmonia
com
rastos de navios
sem
horas de chuva às portas da noite.
Constróis
pontes coloridas e atravessas o mundo.
O
teu mundo
aquela
dor extensa a resistir dentro de ti.
O
teu mar
que
parte e regressa a cumprir o ciclo
de
forma plena
parte
integrante do teu lugar a cada anoitecer.
O
teu lugar.
Palavra
lenta e transparente
cântico
de embalar onde o coração repousa
e a
movimentação da luz acontece.
BL - 03.07.20
quinta-feira, 2 de julho de 2020
quarta-feira, 1 de julho de 2020
Teias de palavras sem-abrigo
Nunca as horas foram tão breves
nunca os dias se fecharam tão cedo
contornos da noite
chuva baça
sem regresso.
As linhas do tempo sustidas
pelo desalinhamento dos ciclos
e as cores que incendeiam a tela
destroços de rostos
ao longo do silêncio do verso.
As mãos erguem as memórias
retêm o rumor do tempo. Prolongo-me
pelas copas das árvores
sopro apagado das pedras
e de aves caídas
arremesso.
Nunca os dias foram tão breves
e as horas compassos distorcidos
teias de palavras sem-abrigo
retrocesso.
sexta-feira, 26 de junho de 2020
Meu amor
Apesar de tudo
meu amor
em nuvens de inocência
pétala vagarosa
alva neve
alva neve
e deixa que o vento te leve
leve.
BL - 26.06.20
De costas voltadas para a janela
Estou
sentada num dia a morrer vazio.
O
canto recostado na inclinação
do
silêncio
e o
vento
inquieto
baralha-me
o pensamento arrastado e
sem
certezas.
Não
sei se faz sentido recolher palavras espalhadas
ao
acaso
e
alinhá-las de novo de um modo embaciado
enquanto
as mãos correm para
lugares
de melancolia
às
vezes crateras abertas por um sopro gelado de nomes irreconhecíveis
pela
escuridão.
25.06.20
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