De novo a acidez da pedra assomaà superfície das águas.Adormecerana contemplação da corde um céu a escoar raízesenquanto os ossosroídos de dorescondiam a explosão das veias
a correrem
no sentido de pedaços e sonsde um fundo azul do tempo.Existe agorauma renúncia anunciadaextingue-se no olhara porta ondea vida atravessa a pele húmida da solidão.
Falaste-me do cansaço da pedradas escadas de neblina magoadae tristeda árvore a tombarlentamente em janelasde solidão.Preciso lembrar-tea sede da pelea renovação dos pássarosum fio de luzem nuvens suspensas da manhã.Não rasgues os alinhavosda memórianão apagues os diálogosdo tempo.Há de um voo pousar no poemae acertar a lucidez do azulsobre a cegueira do silêncio.
São agora ramos segmentadosgalhos secos atravessados de penumbra.Olho-os e vejo pretéritosainda formas esguiassob(re) os verdes[ que permanecem ]cobertos de metáforas.Penso no que peçodespeço-me do que pediria.Assomam pétalas porentre arremessos de invernosão quase nenhumasas aves que me aquecem.A geada queima o versodesintegra o corpo do poema.Talvez já não saibao lugar das palavrase todas as coisas sejam murmúriosa empurrarem as mãospara o olhar fragmentado do silêncio.
É circular e fluidoo movimento da palavra quefloresce nas suas mãos.Desliza o pensamentono olhar profundosobre as teclasnão há nódoana folha brancainteligentedelicadapertinente.Sombra e luz entrelaçadasum rio correndoem rimasàs vezes alternadas.Atravessa o desertotraça o perfil de um destino incertoalcança uma seara a descoberto.Nas rugas do tempohistórias gravadasmapeia na planícieas águas estagnadas.
Lá foraum claro-escuro imutávelcomo se o amanhã encenasse momentosocultos em cada domingo.Todos os momentos são perfeitos para serem nuvenseterna é a força do tempomas só agora me permito ouvir o silêncioe libertar o corpo do desassossego das horas.Adormeço ao sabor do ventoaguardando o ruído da vidaque sufoca sob um rio enregeladoe um céu crispado de solidão.Lá foracala-se a chuvae eu sento-me no horizonte a vender sonhosa amadurecer versosa partilhar as cores de um nadaentre o gélido olhar do infinitoe a sílaba ancorada nos mares desérticos da Lua.