sexta-feira, 20 de setembro de 2024

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

terça-feira, 17 de setembro de 2024

A subtileza da luz



 






É o tempo.

Traçar as linhas e unir

as pontas.

Sorver de uma só vez

a subtileza da luz. Na incógnita

dos delírios da sombra. Incontida e voraz.


Alimentar cintilações de azul

como se explodissem nomes

rostos

na espontaneidade das mãos.


Desenterrar os ombros

quando a espera é

uma porta trancada.

Extinguir silêncios entre causas

e ecos

ser voz inteira à varanda da tarde.


Demorar o gesto no paladar

das palavras.






BL

17.09.24

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

O silêncio do verbo

 








Não sei se é tão simples encontrar

na luz crepuscular das paredes

o percurso da rebentação

das mãos



ou o hálito que despe a solidão

de um corpo moldado

na anatomia do

esquecimento.



Existem lugares anoitecidos

debaixo das ruínas onde secaram

as raízes das veias.



Sei de uma aridez que

atravessou o tempo



e de uma árvore que continua

a crescer


como quem aprendeu a amar na insanidade

de um sonho que te recolhe


sobrevivente.



Não sei explicar se é o sorriso das máscaras

a conduzir à respiração do corpo.









BL

01.08.24








terça-feira, 16 de julho de 2024

Eclipse da sintaxe

 




Não, não esqueço os

fantasmas da loucura. Que seria

dizias.


Sem adversativas nem transgressão

cabia-me a esperança translúcida

da inocência.


Atava nós de paixão na pulsação

das veias

os olhos a mergulharem

no reflexo ilusório da

utopia.


Eclipse da sintaxe

no avesso dos espelhos. E tu

no teclado

neste excesso de vazios.


Sobras de quase nada

no silêncio confessional do poema.




BL

16.07.24








quarta-feira, 3 de julho de 2024

Cruzo-me com cidades a ficarem para trás

 







Sonhava-me vida

e semente

daquilo que queria ser para sempre

a germinar em mim.


Talvez tenha esquecido os verbos

a conjugarem visões do futuro

ou a tinta me tenha secado nos dedos.


Abro o dicionário das sombras esguias

a projetarem a estrada


sem pés que calquem o pó

ou pontes de fogo que irradiem

dos oceanos.


Cruzo-me com cidades a ficarem para trás

esqueço a rota das aves

que viajam com a geografia do vento.


De que cores pinto os dias

que pingam dos céus?


O tempo esqueceu as campainhas noturnas

onde se abriam paisagens

em que a vida me bastava:

esta que me atravessa

e me é distância.





BL

03.07.24








domingo, 2 de junho de 2024

[ In ] significâncias

 







Como se pudéssemos re
significar o silêncio a cada nova
folha em que o céu se desdobra.

Ilusória esperança que persistimos
em manter.
Mas abismos e labirintos

não cabem na bola esmagada
de um calendário
onde arrastamos o tempo

pautado de cada gesto
e nos perdemos dos lugares do sol
na fuga do vento.



BL
01.06.24