sábado, 14 de fevereiro de 2026

Quebro o verso

 




 

Quebro o verso
para que o poema respire fundo
no espaço em branco
e deixe o silêncio trabalhar
a favor do ritmo.

 

Quebro a frase
para que o sentido escorra
devagar
e aprenda a ouvir
o intervalo entre duas ondas.

 

Deixo que o branco
se estenda um pouco mais.

Às vezes
é no vazio
que a palavra encontra
o seu próprio eco.

 

Abro fendas
onde já houvera pontuação
e nelas deixo entrar
o ar fresco
de um pensamento que ainda nasce.

 


quando o ritmo hesita
não o apresso.
 

Também existe música
no passo que falha
e recomeça.




BL

14.02.26
















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