segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Azul silêncio

 





Naquele tempo
prevalecia uma voz
rouca

e uns olhos
azuis‑relâmpago

que atravessavam a sala
como quem rasga
um véu antigo

a deixarem no ar
um cheiro a chuva
e promessas
que ninguém ousava nomear.


As palavras vinham
lentas
carregadas de uma fadiga antiga
e de um lume secreto

uma verdade
a tremer
para nascer.

 

E eu
sentada à beira
do silêncio

aprendia a escutar
o que não se dizia

como quem recolhe
migalhas de luz
num chão
que desaprendeu o sol.


Havia noites
em que a voz falhava.


Mas os olhos
[ azuis-relâmpago ]
continuavam a incendiar
o escuro

como se soubessem
que a memória
é feita de clarões breves
e não de eternidades.





BL

09.02.26






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