domingo, 1 de fevereiro de 2026

Geometria da fome

 






Rasgámos o silêncio
como quem acende a pele por dentro
e
no lume breve dos dedos
inventámos margens
onde cabia o mundo.

Entre o sopro e a vertigem
a noite abriu-se em frutos lentos
e cada sombra era um nome
que aprendíamos com a boca.


Desatámos o peso do tempo
numa dança de veias despertas
e o chão
cúmplice
cedeu
à promessa dos nossos passos.


Assim
de gesto em gesto
colhemos o que tremia no ar.


A luz ainda por nascer
e o corpo inteiro
a dizer-se.





BL
01.02.26