domingo, 4 de janeiro de 2026

Tocam-se distâncias


 




Escreve-se o corpo 
no intervalo das sombras
onde o silêncio arde 
devagar
como quem aprende a respirar o nome do outro.


Existe um lume antigo
a crescer nas veias
um rumor de marés 
que regressam sempre
ao lugar onde a pele se lembra.


Tocam-se distâncias.
Longas.
Febris.
Quase infinitas.

E nelas ergue-se o impulso 
onda que não conhece fronteira
fome que se dobra sobre si mesma
até ser vertigem.

E quando a noite se inclina
há um gesto que persiste.
O de procurar
ainda
o que falta no espaço exato
onde dois silêncios se tocam
e incendeiam tudo.






BL
04.01.26









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