neblina branca
a dissolver-se
em espirais
o mundo
esquece o peso
por instantes
e tudo o que fica
é um gesto leve
a desaparecer
BL
30.01.26
neblina branca
a dissolver-se
em espirais
o mundo
esquece o peso
por instantes
e tudo o que fica
é um gesto leve
a desaparecer
BL
30.01.26
Somos dois corpos a adivinharem-se
a medirem o pulso um do outro
sem nunca encostarem a pele
como se o toque fosse uma promessa
que se cumpre apenas quando o mundo adormece.
Mas sei que [por um instante]
o centro dele vai caber na palma da tua mão
e na minha.
BL
18.01.26
E diz que a profundidade não tem fundo.
Não a ti.
Mas ao que restou de mim
depois de te perder.
BL
03.01.26
e se o lume que deixas nos meus ombrosfor apenas sombraa aprender a respirar?
ainda assim
regresso
porque há noites que só existem
quando o teu nome treme nelas
BL02.01.26
era cega
tão cega quanto a noite que recusa estrelas
e ainda assim sentia o teu nome pulsar no ar
um sopro que me puxava para a beira do teu abismo
tentava guardar-te nas minhas mãos transparentes
como se a pele pudesse deter a queda
como se o gesto pudesse reinventar o destino
e no fundo mais fundo do pensamento
tu regressavas sempre
poema aceso no interior dos meus olhos
flor secreta que abria magnólias no meu corpo