Avança sem bússola
um corpo que se adivinha apenas pelo rumor do chão.
Procura o intervalo onde a luz se desvia
e ali pousa
como quem aprende a demorar-se no indizível.
Sobe degraus que se desfazem
desce outros que nunca terminam
acolhe o silêncio que se esconde nas paredes gastas.
Não aceita promessas de passagem
nem o teatro de mãos
prontas a medirem afetos. Prefere o gesto que nasce sem
testemunhas
a ternura que não exige troféus.
Segue assim.
Entre o quase e o ainda não
entre a sombra que o persegue
e a sombra que o protege.
Um itinerário que se inventa a cada passo
imprevisível
como quem aprende a existir
sem pedir licença.
BL
21.02.26