Não sem que olhes
mais uma vez
a janela perdida entre escombros.
Os teus pés rasgados sobre as pedras.
[força quieta
quase sísmica]
Diante de ti
a realidade é agora
um mundo envelhecido de silêncio.
Não existem metáforas soterradas.
À distância
o tempo.
Parado.
Não se é criança
quando o tempo
longínquo
parado
desaba
sem aviso
diante de ti.
Cresces
quando o mundo te empurra
para dentro de ti.
Quando te fecha uma porta
e te deixa no lado errado.
Cresces
quando o mundo te obriga
a ficar de pé
entre ruínas.
À espera de que algum fragmento
ainda saiba dizer futuro.
BL
28.03.26