quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Poema aceso no interior dos meus olhos

 


eu caminhava dentro do silêncio
um silêncio espesso que me envolvia como um manto esquecido
e tropeçava nos contornos da tua ausência
como quem procura luz num quarto sem portas

era cega
tão cega quanto a noite que recusa estrelas
e ainda assim sentia o teu nome pulsar no ar
um sopro que me puxava para a beira do teu abismo

tentava guardar-te nas minhas mãos transparentes
como se a pele pudesse deter a queda
como se o gesto pudesse reinventar o destino

e no fundo mais fundo do pensamento
tu regressavas sempre
poema aceso no interior dos meus olhos
flor secreta que abria magnólias no meu corpo







BL
01.01.26