sábado, 16 de agosto de 2014
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Estranhamente doce
É aqui
que os dias se cruzam
espartilhados
como a
sede da gaivota onde ironicamente
agoniza
o verão.
São
longas as horas e o silêncio alonga-se
nas ruas
que dormem
na
inocência de sílabas proibidas.
Sei de
um equilíbrio impreciso
ou da
sombra errante que me amarra as memórias
à voz
que me rodeia o nome.
Tão
breve como a lucidez da folha
tecida
na sede das mãos
cresce
nos meus olhos
um
abrigo de água
estranhamente
doce.
Brígida Luz
que os dias se cruzam
espartilhados
como a
sede da gaivota onde ironicamente
agoniza
o verão.
São
longas as horas e o silêncio alonga-se
nas ruas
que dormem
na
inocência de sílabas proibidas.
Sei de
um equilíbrio impreciso
ou da
sombra errante que me amarra as memórias
à voz
que me rodeia o nome.
Tão
breve como a lucidez da folha
tecida
na sede das mãos
cresce
nos meus olhos
um
abrigo de água
estranhamente
doce.
Brígida Luz
sábado, 9 de agosto de 2014
Pegadas
e aqui
voltei
mergulhada
numa luz de longe
e o que
de mim deixei
de um
tempo de estio
entre o
vento e o rio
um quase
sossego do verso
no
ventre da terra
à mais
funda raiz do poema.
Brígida
Luz
quinta-feira, 31 de julho de 2014
por aí...
A árvore
ou o silêncio de um ninho no interior de um ninho
a um grito da queda.
O tronco
mirrado. Como quem
se deixou tombar por dentro. Uma ave
abrigada entre folhas e ramos
a debicar o pensamento.
Os olhos
a seguirem o rumo
da seiva a espalhar-se
pelo tempo. À procura
da primavera
no fundo do mundo.
Brígida Luz
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Um lugar acima de nós
Espero
ainda por ti
à beira
de uma raiz do olhar. Como quem
envolve
a alma na memória e se agarra
ao tempo
quieto
que vem
de dentro. Falo-te
da voz
que os pássaros abrigam nas falésias
ou dos
cabelos encrespados do mar. E o silêncio
a
crescer acima de nós
a
devolver-nos o dialeto do vento
voz da
tua e da minha voz.
E o
tempo acima do vento
mil anos
acima de nós.
E os
teus passos
os teus
passos curvados
a
desenharem na sombra a direção da luz.
Luz em
fuga
no
desencontro dos tempos.
Lugar
das
coisas indizíveis
tão
perto da voz.
Brígida
Luz
terça-feira, 15 de julho de 2014
Um nome que te dói
![]() |
Foto de Michael Bilotta
|
Um
nome que te dói. Que te ocupa
todos
os espaços do corpo e que talvez
só
exista dentro de ti. Cheio de aves
e
dos incêndios do entardecer.
Talvez
destinado a morrer.
Como
tu morres ao despertar da manhã
e
o silêncio é refúgio de barcos
e
de tempestades.
Um
nome que te dói. Que não te sabe
a
inocência das estrelas. Onde o tempo
cresce
e a memória te molda a alma
na
geografia do corpo. O teu corpo
exausto.
A luz inerte de um rosto vazio.
Brígida
Luz
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