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| Foto de Irene Fittipaldi |
Levamos o tempo fechado no olhar
como se gritássemos sombras
silenciosas
paradas no esquecimento.
Através dos corpos emudecidos
passam os dias turvos de ausências
e de solidão.
E ao redor da casa envelhece
uma tranquilidade baça
por onde se afundam os gestos vagos
a sucumbirem na fuga.
Convoco o vocabulário
da ressurreição
a plena vastidão do amor
para dentro das imagens
mas sei apenas de um quase nada
sempre que viro a página
e o rio reflui e me engole
[ ou me adia ]
e a linguagem da pele quase não
passa.
Brígida Luz
13.06.14


