Retida no reverso do reflexo
segue os retalhos do tempo
subindo os olhares das estradas
escorrega na sombra do centro
arruma portas e abraços
enterra relógios
retratos
subtrai a crispação do silêncio
ilude a mutilação da noite
amordaça a culpa desfocada
engole a mudez do pensamento
desata os nós da palavra
voa no horizonte do vento
suspende-se
parágrafo
nos ramos das estrelas
sente os luares da semente
e renasce
nasce madrugada
cresce redenção
ah! as fotos!
as fotos depois dirão.
Brígida Luz
