| Foto de JPLuz |
segunda-feira, 7 de abril de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
Meto-me para dentro, e fecho a janela - Alberto Caeiro
"Meto-me para dentro, e fecho a janela.Trazem o candeeiro e dão as boas noites,E a minha voz contente dá as boas noites.Oxalá a minha vida seja sempre isto:O dia cheio de sol, ou suave de chuva,Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,A tarde suave e os ranchos que passamFitados com interesse da janela,O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme."
sábado, 5 de abril de 2014
Como se nada mais se concedesse
![]() |
Foto
de Martin Marcisovsky
|
Sentar-se
na extremidade do sofá,
olhando
os olhares, como se
a
nada pertencesse,
como
se nada mais se concedesse
que
o girar dos gestos,
sons
caídos dos dias sós.
Ficar
calada como a noite,
inventar
barcos nas pontas dos dedos,
por
detrás do imaginário das esperas.
Depois,
sair do corpo,
transformar
a noite em tempo,
ter
trajetórias e cais,
rente
às palavras eternas,
às
árvores,
ao
vento.
Brígida
Luz
sexta-feira, 4 de abril de 2014
segunda-feira, 31 de março de 2014
Súbitas madrugadas
![]() |
Foto de Denis Lamblin
|
E talvez
hoje me possas dizer
da
passagem de uma luz generosa
em
que te aceitas vivo e te confundes
com
as árvores da manhã.
Caíram
sobre o silêncio do rio
súbitas
madrugadas de primavera.
E
tudo muda, o vento, o mar,
as
terras alagadas. És tu a memória
do
mundo, a pele das casas caiadas.
És
tu o tempo do teu corpo, a raíz da tua
estrada.
És
tu a folha branca e a palavra clara
em que
refazes o chão onde tudo se aproxima
dos
fascínios adiados dos teus olhos.
Brígida Luz
quinta-feira, 27 de março de 2014
domingo, 16 de março de 2014
Transcendência
O céu como temporal
sobre o atrito da rua lenta
enquanto escondo o frio
nas mãos
e aqueço as aves
nas palavras.
sobre o atrito da rua lenta
enquanto escondo o frio
nas mãos
e aqueço as aves
nas palavras.
Todos os dias o sol
a nascer
e eu, ao canto da sombra,
a nascer
e eu, ao canto da sombra,
[viagem adiada]
mudez estranha retraída na
obscuridade
dos olhos.
dos olhos.
Talvez me aguarde o tempo
de transcender numa metáfora
a trajetória
de um corpo quebrado, ofegante
depurado na dimensão triangular
da claridade
de transcender numa metáfora
a trajetória
de um corpo quebrado, ofegante
depurado na dimensão triangular
da claridade
e aceitar como um incêndio as águas
que caem
por dentro do silêncio espesso
de vozes mutiladas.
por dentro do silêncio espesso
de vozes mutiladas.
Hei de, quem sabe, regressar à
memória de Deus
lugar e tempo
que me dói, e que me dói, na chama
que se apaga na sala
e, secretamente insubmissa, me reclama
árvore, pássaro, alma, apenas
lugar e tempo
que me dói, e que me dói, na chama
que se apaga na sala
e, secretamente insubmissa, me reclama
árvore, pássaro, alma, apenas
seja na ilusão de urgentes nuvens
incandescentes
ou na espera incerta da projeção da luz
como imagem da casa.
ou na espera incerta da projeção da luz
como imagem da casa.
Brígida Luz
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