sábado, 16 de novembro de 2013
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
No coração do silêncio
Partilhamos solidões. Saímos
pela neblina das manhãs
na memória dos rumos
que nos transportam ao coração do silêncio.
Entrelaçamos cidades
sentados na orla das imagens
que atravessam as raízes do ventre da casa.
Como se dobássemos o fio do tempo
para alimento das palavras
que enchem os olhos de verdade
quando sopros de saudade se encontram
face a face
por dentro.
Cercamo-nos da luz desprevenida
dos poentes
com os olhos a rasgarem
a convulsão dos longes
em que outubro vai gotejando.
Brígida Luz
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Pelos dias que passam
Ainda que longe
dizes-me por dentro as árvores
que são as tuas. A chuva triste
ou o silêncio que transportas
nas tuas mãos cansadas
quando os olhos te seguram as estrelas
dia após dia
e o vento traz a noite
ou searas improváveis
por onde se perde
longe
tão longe
o tempo da casa.
Brígida Luz
Pelos dias que passam
Ainda que longe
dizes-me por dentro as árvores
que são as tuas. A chuva triste
ou o silêncio que transportas
nas tuas mãos cansadas
quando os olhos te seguram as estrelas
dia após dia
e o vento traz a noite
ou searas improváveis
por onde se perde
longe
tão longe
o tempo da casa.
Brígida Luz
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Enquanto o sol não vem
![]() |
| Foto de Gao dongyang - "Morning" |
E deixo a obliquidade das horas
entranhada em palavras sonhadas
para me subentender na circunscrição
dos espaços.
Passeio o olhar pelas coisas inexplicáveis
a envelhecerem no lado mais obtuso do silêncio
enquanto vejo janelas indefesas a tombarem
condicionadas pelas cinzas dos significados
irreversivelmente adiados.
Porque na queda desnuda do rosto
imprescindível de ti o gesto
a suster a voz do tempo despojado.
Brígida Luz
entranhada em palavras sonhadas
para me subentender na circunscrição
dos espaços.
Passeio o olhar pelas coisas inexplicáveis
a envelhecerem no lado mais obtuso do silêncio
enquanto vejo janelas indefesas a tombarem
condicionadas pelas cinzas dos significados
irreversivelmente adiados.
Porque na queda desnuda do rosto
imprescindível de ti o gesto
a suster a voz do tempo despojado.
Brígida Luz
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Perfis de setembro
![]() |
| Foto de Radu Voinea |
No olhos, uma trajetória
ainda inclinada ao prolongamento da cor. Um lugar
abrigado no eixo dos pássaros, onde palavras ociosas
respiram os rituais das árvores
e transportam nos dedos a geografia de um cais.
Chegam, em linha reta, os novos perfis
de setembro, como línguas de vento
a anunciarem os primeiros contrastes
dos regressos.
Conheço a oscilação da luz e sei
que é inevitável adiar a limpidez do silêncio.
Irremediavelmente renovar as tintas disponíveis
e os gestos desdobráveis
sobre o equilíbrio volátil
de um tempo exilado
na periferia das primeiras águas.
Brígida Luz
sábado, 14 de setembro de 2013
Para lá do olhar
Como se pudéssemos colocar
na mão do pintor
o halo de luz
e a paleta de cores
com que entramos oceano adentro
e na memória de uma flor
lhe inventássemos o olhar.
Para que não fosse
demasiado tarde
para segurar as pedras
dos rios que correm.
Brígida Luz
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